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segunda-feira, 26 de julho de 2010

O Ultra-Romantismo no Brasil

Os autores ultra-romantiscos eram jovens com pouco mais de 20 anos, desinteressados pela vida política, voltados para si mesmos,profundamente pessimistas, sem perspectivas, entediados, que sonhavam com amores impossíveis enquanto esperavam a morte chegar. Esses poetas viviam uma vida divida entre seus estudos, seu amores, suas leituras de obras europeias, copiando o estilo de vida de escritores como Byron e Musset. Caracterizados pelo apego a valores decadentes como a bebida, atração pela noite, pela morte, extremo pessimismo diante do mundo, ou seja, características do "mal século".

Características gerais do Ultra-Romantismo

  • liberdade criadora (o conteúdo é mais importante que a forma; são comuns deslizes gramaticais);
  • versificação livre;
  • dúvida, dualismo
  • tédio constante, morbidez, sofrimento, pessimismo,negativismo,satanismo,masoquismo, cinismo, autodestuição;
  • fuga da realidade para o mundo dos sonhos, da fantasia e da imaginação(escapismo, evasão);
  • desilusão adolescente;
  • dealização do amor e da mulher;
  • subjetivismo, egocentrismo;
  • saudosismo(saudade da infância e do passado)
  • gosto pelo noturno;
  • consciência de solidão;
  • a morte: fuga total e definitiva da vida, solução para os sofrimentos;
  • sarcasmo, ironia.

Introdução


Para que possamos falar do Ultra-Romantismo, precisamos primeiro entender seu estilo maior, o Romantismo. A principal característica do Romantismo em seus três períodos é o sentimentalismo; a supervalorização das emoções pessoais: nesse estilo é o interior humano que conta, o subjetivismo. À medida que a busca dos valores pessoais se intensifica (como o culto do individualismo), perde-se a consciência do coletivo social. A excessiva valorização do "eu" gera o egocentrismo: o ego como centro do universo. Evidentemente, surge aí um choque entre a realidade objetiva e o mundo interior do poeta. A derrota inevitável do ego produz um estado de frustração e tédio, que conduz à evasão romântica. Seguem-se constantes e múltiplas fugas da realidade: o álcool, o ópio, os prostíbulos, a saudade da infância, as constantes idealizações da sociedade, do amor, da mulher. O romântico foge no tempo e no espaço. No entanto, essas fugas têm ida e volta, exceção feita à maior de todas as fugas românticas: a morte.

Houve uma sensível mudança no comportamento dos autores românticos: há algumas semelhanças entre os autores de um mesmo período, mas a comparação entre os primeiros e os últimos representantes, revela profundas diferenças. No Brasil, por exemplo, há uma distância considerável entre a poesia de Gonçalves Dias (primeira geração - Indianista ou Nacionalista), de Álvares de Azevedo (segunda geração - Ultra-Romantismo) e de Castro Alves (terceira geração - Condoreira). Por isso há a necessidade de se dividir o Romantismo em gerações.